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Artigo Original

Avaliação da qualidade de vida de indivíduos queimados pós alta hospitalar

Assessment of quality of life of individuals burned after discharge

Gilson F. P. Júnior1; Ana Carolina P. Vieira2; Gracinda M. G. Alves3

RESUMO

Objetivo: Avaliar o impacto da queimadura na qualidade de vida (QV) em indivíduos após a alta hospitalar. Método: O presente estudo abordou a QV de pacientes queimados hospitalizados em um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ). O instrumento de pesquisa escolhido foi a BSHS-R- Burn Specific Health Scale- Revised. Participaram do estudo 21 sujeitos que haviam sido internados no CTQ do Hospital Geral do Estado. Resultados: Dezesseis (76,2%) eram do sexo masculino e cinco (23,8) do sexo feminino. Todos apresentavam sequelas, sendo que 13 (61,9%) sujeitos tinham sequelas tanto estéticas quanto funcionais. Conclusoes: As limitaçoes físicas e psíquicas causadas pela queimadura diminuem a QV de quem sofre esse trauma. Faz-se, portanto, cada vez mais necessária a pronta e abrangente reabilitaçao desses pacientes, para minimizar os danos causados pelo trauma e melhorar sua QV.

Palavras-chave: Terapia ocupacional. Qualidade de vida. Queimaduras.

ABSTRACT

Objective: To evaluate the impact of burn on the quality of life (QOL) in patients after hospital discharge. Methods: This study focused on the QOL of patients hospitalized in a burn treatment center in the Burns Unit (BU). The survey instrument selected was the BSHS-R-Burn Specific Health Scale-Revised. The study included 21 subjects who had been hospitalized in the CTQ General State Hospital. Results: Sixteen (76.2%) were male and five (23.8) female. All patients had sequelae and 13 (61.9%) subjects had both aesthetic and functional sequelae. Conclusions: The physical and psychological limitations caused by the burns diminish the quality of life of those who suffer this trauma. It is therefore increasingly necessary, prompt and comprehensive rehabilitation of these patients to minimize the damage caused by trauma and improve QOL.

Keywords: Occupational therapy. Quality of life. Burns.

As queimaduras sao resultantes da açao direta ou indireta do calor excessivo sobre o tecido orgânico, exposiçao a corrosivos químicos ou radiaçao, contato com corrente elétrica ou frio extremo1. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, no Brasil acontecem um milhao de casos de queimaduras a cada ano, 200 mil sao atendidos em serviços de emergência e 40 mil demandam hospitalizaçao. As queimaduras estao entre as principais causas externas de morte registradas no Brasil, perdendo apenas para outras causas violentas, que incluem acidentes de transporte e homicídios2.

O álcool é responsável por quase 20% de todas as queimaduras em nosso país. As causas mais frequentes das queimaduras sao a chama de fogo, o contato com água fervente ou outros líquidos quentes e o contato com objetos aquecidos3. Menos comuns sao as queimaduras provocadas pela corrente elétrica, transformada em calor ao contato com o corpo. Queimadura química é denominaçao imprópria dada às lesoes causticas provocadas por agentes químicos, em que o dano tecidual nem sempre resulta da produçao de calor2.

Os avanços no atendimento hospitalar têm contribuído para a sobrevivência de pacientes que sofreram trauma térmico, resultando em reduçao na taxa de mortalidade entre vítimas de lesoes de queimaduras. Contudo, muitas pessoas ainda ficam com sequelas e morrem a cada ano por causa da queimadura4.

O processo de cicatrizaçao das queimaduras, que pode durar muitos meses, dependendo da profundidade e demais fatores interrelacionados, predispoe à formaçao de cicatrizes hipertróficas e contraturas, sendo caracterizado pelo importante aumento na vascularizaçao, de fibroblastos, miofibroblastos, deposiçao de colágeno, material intersticial e edema. As sequelas das queimaduras constituem um grande desafio, tanto no que se refere à prevençao quanto ao tratamento, incluindo os aspectos relacionados à fase de reabilitaçao4.

Injúrias por queimaduras produzem desafios fisiológicos, psicológicos, funcionais e sociais5. Do ponto de vista psicossocial, o paciente queimado se vê condicionado pela exigência da beleza física exterior e pela sua própria exigência interna, inconformado com a cicatriz na sua pele interferindo em sua auto-imagem e, deste modo, pode-se imaginar o que uma pessoa queimada espera encontrar na retomada de suas atividades cotidianas6.

Outros aspectos repercutem na auto-imagem: dificuldades relativas ao trabalho, à locomoçao e aos relacionamentos, destacando- se limitaçoes nos relacionamentos com a família e sexual. Resultam em nova elaboraçao da auto-imagem, após a queimadura, marcada por negatividade e privaçoes que atingem, em especial, os homens adultos que sao chefes de família e vêem obstaculizada a continuidade do desempenho de seu papel social7.

Pessoas que sofreram queimaduras consideram que as modificaçoes decorrentes do trauma resultam em prejuízo à qualidade de vida, devido às desvantagens experimentadas no cotidiano, como dificuldade para conseguir um trabalho, ou adaptar-se a trabalho desenvolvido anteriormente ou, ainda, porque nao está mais em condiçoes para trabalhar. Reconhecem, também, como elementos comprometedores de sua qualidade de vida: o tempo gasto para os cuidados com a queimadura; a necessidade do desenvolvimento de estratégias voltadas para a retomada da normalidade; as limitaçoes físicas, representadas como incapacidade e exigindo mudança na rotina das atividades diárias; o prejuízo causado na relaçao com os familiares, principalmente, o relacionamento afetivo e sexual com o cônjuge; o impedimento da realizaçao de atividades costumeiras com os filhos e de lazer; a perda da autonomia para realizar atividades simples e corriqueiras, que antes concretizavam sem lhes atribuir importância7.

O propósito deste estudo é avaliar a qualidade de vida dos pacientes que foram internados no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandao Vilela, no período de outubro/2009 a abril/2010.


MÉTODO

Foi realizado um estudo descritivo e transversal, no qual foram avaliados 21 pacientes internados no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandao Vilela (HGE), no período de outubro de 2009 a abril de 2010, por meio de preenchimento de questionário específico para queimaduras a BSHS-R- Burn Specific Health Scale- Revised e a condiçao socioeconômica foi avaliada de acordo com o Critério de Classificaçao Econômica do Brasil (CCEB).

A versao original da BSHS-R tem 31 itens, organizados em seis domínios: habilidades para funçoes simples (4 itens), sensibilidade da pele (5), tratamento (5). Cada item da BSHS-R tem uma possibilidade de pontuar de 1-5, e a pontuaçao total varia entre 31 e 155; quanto maior a pontuaçao, melhor o estado de saúde. A adaptaçao cultural da BSHS-R foi realizada segundo Guillemin et al. e Ferreira et al.8.

As entrevistas foram realizadas após a alta hospitalar, durante seguimento ambulatorial, sendo necessária apenas uma entrevista com cada sujeito da pesquisa para preenchimento do questionário.

Os dados foram analisados usando o software Statistical Package for Social Science (SPSS) versao 16.0, para cálculo das análises descritivas.


RESULTADOS

As características principais de nossa amostra foram: predomínio de indivíduos do sexo masculino (16/21; 76,2%), casados (15/21; 71,4%), com idade entre 18 e 30 anos (42,9%), com ensino médio completo (9/21; 42,9%) e classe econômica C1 (8/21; 38,1%).

Observou-se, ainda, que o agente etiológico responsável pelas queimaduras foi, predominantemente, a chama direta (11/21; 52,4%).

Dos 21 participantes, seis nao possuíam a porcentagem da área queimada descrita no prontuário médico. A área média de queimaduras, obtida dos 15 participantes restantes, foi de 12% da superfície corporal. Outro índice que mensura a gravidade da queimadura é a profundidade da mesma. Neste quesito, 28,6% dos casos apresentaram queimadura de 2º e 3º graus e 61,9% dos casos com queimadura de 2º grau típico.

As áreas queimadas mais atingidas foram: face, tronco anterior e braço, afetando, respectivamente, 13 (61,9%), 13 (61,9%) e 12 (57,1%) participantes. Sendo assim, toda a amostra apresentava sequelas, sendo 1 (4,8%) caso tinha sequela apenas funcional, 7 (33,3%) possuíam sequelas apenas estéticas e 13 (61,9%), sequelas tanto estéticas quanto funcionais.

A imagem corporal é avaliada, no domínio afeto e imagem corporal, com itens que abordam sentimentos de tristeza ("Eu me sinto triste e deprimido com frequência") e solidao ("Eu fico chateado com o sentimento de solidao"), problemas com a aparência das cicatrizes ("A aparência das minhas cicatrizes me incomoda") e pessoal ("Minha aparência me incomoda muito"). Neste item podemos observar que predomínio para as respostas "nao me descreve", refletindo entre 28,6% e 76,2% (Tabela 1).




Já os itens do domínio sensibilidade da pele têm distribuiçoes variadas, sendo possível observar maior distribuiçao para as respostas "Descreve-me muito bem", refletindo entre 33,3% e 71,4% dos participantes (Tabela 2).




As respostas do grau de dificuldade para desempenhar funçoes simples, para a maioria dos participantes, foram para a opçao "nenhuma dificuldade". Porém, no item 5, verificamos maior frequência na resposta "pouca dificuldade" (Tabela 3).




O domínio trabalho apresentou distribuiçoes variadas, sendo possível observar uma distribuiçao mais homogênea nos itens 3 e 9; 13 e 15, para a resposta "descreve-me muito bem" (Tabela 4).




Já o domínio tratamento obteve maior frequência na resposta "nao me descreve". Tal resultado indica que os cuidados com as queimaduras nao sao avaliados como difíceis ou incômodos entre os participantes (Tabela 5).




Para a maioria dos sujeitos, a opçao "nao me descreve" foi escolhida para responder os cinco itens que compoem o domínio Relaçoes interpessoais. Isso reflete que, no geral, nao há percepçao de problemas em suas relaçoes familiares e de amizade após o trauma (Tabela 6).




DISCUSSAO

Entre os problemas relacionados com a saúde durante as últimas décadas, as queimaduras parecem ter uma das mais importantes consequências sociais9. Lesao por queimadura continua a ser um enorme problema de saúde pública, pelo menos em termos de morbidade e de deficiência a longo prazo, em todas as partes do mundo e, especialmente, nos países em desenvolvimento10.

Nos últimos 50 anos, a equipe de profissionais especializada em queimados mudou o foco dentro do tratamento. O objetivo principal passou da sobrevivência de pacientes queimados para a reabilitaçao, com o objetivo de devolvê-los à sociedade com capacidade funcional; fato este que se comprovou nesta pesquisa, pois a maioria dos sujeitos retornou ao trabalho11.

Porém, as principais barreiras para o nao retorno ao trabalho sao as habilidades físicas perdidas, as condiçoes de trabalho e os fatores psicossociais, como problemas com a aparência. A melhora da qualidade da pele, em especial a da face, pode contribuir para a reintegraçao dos pacientes12.

A pele pós-queimada, recentemente curada, é frágil, seca e suscetível à queimadura de sol13. A magnitude do comprometimento dessas funçoes depende da extensao e da profundidade da queimadura2, o que explica o fato de a maior parte dos sujeitos acharem que a pele está mais sensível agora do que antes.

Outro ponto a ser destacado é que os problemas relacionados à aparência pessoal, bem como sentimentos de tristeza e solidao, após a queimadura, nao sao percebidos, corroborando com os resultados apresentados acima4.

De acordo com os resultados apresentados, a maioria dos sujeitos sofreu pequenas queimaduras, como também as áreas lesadas em sua maioria foram na face, na regiao anterior do tronco e do braço, fato este que nao interferiu na funcionalidade dos indivíduos da pesquisa. Dentre as lesoes que mais acometeram a funcionalidade dos indivíduos pesquisados, estao o vestir-se, tomar banho e amarrar sapatos, relacionadas às queimaduras de mao, determinam graves limitaçoes aos pacientes, pela importante funçao que o membro exerce nas atividades diárias, queimaduras menores das maos podem resultar somente em incapacidade temporária. O tratamento inadequado e a ausência de exercícios de reabilitaçao após as queimaduras, inevitavelmente, resultam em contraturas que prejudicam a capacidade funcional da regiao do corpo afetada14.

Após o trauma nao há percepçao de problemas nas relaçoes com a família e amigos, o que está refletido no resultado de nossa pesquisa, o que só reforça os resultados encontrados, já que a opçao "nao me descreve" foi escolhida para responder os cinco itens que compoem o domínio Relaçoes interpessoais4.

Os pacientes que sofrem queimaduras representam um grupo heterogêneo, desde indivíduos que necessitam apenas de acompanhamento ambulatorial àqueles que precisam de tratamento em unidade de terapia intensiva. Também acometem pacientes que anteriormente à queimadura já apresentavam as mais diversas condiçoes clínicas e, mesmo os indivíduos que antes eram saudáveis podem apresentar uma ampla gama de situaçoes clínicas, pois a grande lesao exposta leva a alteraçoes sistêmicas importantes e a evoluçao vai depender da reserva clínica que o paciente apresentava antes do acidente15.

Dentro desse panorama desafiador, é fundamental a evoluçao do conhecimento para o combate às queimaduras, compreendendo medidas e campanhas de prevençao, tratamento no local do acidente, tratamento clínico e cirúrgico, entendimento das complicaçoes e das sequelas, aperfeiçoamento da reabilitaçao, retorno do paciente ao convívio social e laboral normal como antes do acidente, e atençao à qualidade de vida em todas as fases15.


CONCLUSAO

Com os resultados do estudo concluiu-se que, após a alta hospitalar, as limitaçoes físicas e psíquicas causadas pela queimadura diminuem a qualidade de vida de quem sofre esse trauma. Faz-se, portanto, cada vez mais necessária, a pronta e abrangente reabilitaçao desses pacientes, para minimizar os danos causados pelo trauma e melhorar a qualidade de vida.


REFERENCIAS

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1. Acadêmico do 5º ano de Terapia Ocupacional, pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), bolsista pela Fundaçao de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), Maceió, AL, Brasil.
2. Terapeuta Ocupacional, especialista em desenvolvimento infantil pela Universidade Federal de Minas Gerais, Analista do Seguro Social com ênfase em Terapia Ocupacional e professora substituta da UNCISAL, Maceió, AL, Brasil.
3. Terapeuta Ocupacional, especialista em Saúde Pública pela Universidade Sao Camilo e mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco. Terapeuta ocupacional do Hospital Colônia Vicente Gomes de Matos (Barreiros/PE) professora assistente pela UNCISAL, Maceió, AL, Brasil.

Correspondência:
Ana Carolina P. Vieira
Rua Cônego Machado, S/No
Maceió, AL, Brasil - CEP 57010 - 382
E-mail: acpvieira@gmail.com

Recebido em: 3/9/2010
Aceito em: 28/10/2010

Trabalho realizado na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), Maceió, AL, Brasil.

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