Resumo
A intoxicação por cianeto é uma causa potencialmente fatal de acidose láctica em vítimas de inalação de fumaça, especialmente quando há combustão de materiais sintéticos. A hidroxocobalamina é o antídoto de escolha, pois se liga diretamente ao íon cianeto, formando cianocobalamina inócua. A dose inicial recomendada em adultos é de 5g IV, podendo ser repetida conforme resposta clínica e laboratorial. Relata-se o caso de uma mulher de 45 anos com inalação de fumaça e queimaduras extensas, que apresentou elevação progressiva do lactato e evoluiu com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). O tratamento incluiu administração escalonada de hidroxocobalamina (5g iniciais seguidas de duas doses adicionais de 5g), suporte ventilatório protetor e manejo cirúrgico das lesões cutâneas. Observou-se rápida melhora metabólica, com normalização do lactato e recuperação clínica sem disfunção renal. O caso ilustra a importância do reconhecimento precoce da intoxicação por cianeto em vítimas de incêndio e destaca o papel da hidroxocobalamina como terapia segura e eficaz, mesmo em doses cumulativas elevadas, quando acompanhada de monitorização rigorosa. Discutem-se os fundamentos fisiopatológicos do tratamento, o raciocínio clínico para o ajuste de doses e as possíveis implicações para protocolos institucionais em unidades de queimados.
Palavras-chave: Cianetos. Hidroxocobalamina. Unidades de Queimados. Queimaduras por Inalação. Síndrome do Desconforto Respiratório.